Projeto elétrico residencial: muito além de tomadas e lâmpadas

O projeto elétrico residencial é essencial para o conjunto quando se fala de construções ou reformas de ambientes. Afinal, esse documento é responsável por mostrar muito mais que as localizações de tomadas e pontos de iluminação.

Para evitar o mau funcionamento da iluminação e dos aparelhos que são conectados à energia elétrica — o que pode causar transtornos complicados no dia a dia dos habitantes de uma residência —, é importante que seja realizado um projeto de distribuição das cargas elétricas.

Essas definições evitam maiores gastos com dimensionamentos feitos em desacordo com as cargas reais, facilitam alterações e manutenções do sistema e ainda garantem que a obra esteja de acordo com as normas e legislações vigentes.

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O que constitui um projeto elétrico?

Um projeto elétrico residencial é muito mais do que definir onde ficarão lâmpadas, tomadas e interruptores (Projeto: Degradê Arquitetura e Interiores)

Um projeto elétrico residencial é formado pelo conjunto de cálculos e representações gráficas que demonstram, em detalhes, cada um dos pontos de energia que serão instalados em todos os ambientes de uma residência.

Os principais elementos que fazem parte do projeto elétrico residencial são:

  • cálculo de demanda de energia, com detalhamento técnico e memória de cálculo;
  • planta baixa com as representações adequadas dos elementos da instalação;
  • cálculo dos sistemas de proteção para cada um dos circuitos definidos;
  • dimensionamento e definição dos materiais a serem utilizados.

No caso de a construção ter mais de um pavimento, é necessária também a elaboração de uma “prumada elétrica”, que é um corte lateral que mostra claramente as ligações existentes entre os andares de uma instalação. Não é um diagrama elétrico completo, mas mostra as principais informações das caixas de passagem e dos cabos, por exemplo.

Projetos residenciais são considerados como de baixa potência pelos órgãos regulamentadores. Isso permite que sejam feitos por engenheiros eletricistas, engenheiros civis, arquitetos e técnicos em eletrotécnica, de acordo com as normativas vigentes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). Esses profissionais devem ter cadastros ativos no respectivo órgão de classe e são responsáveis pelo registro da obra perante eles.

O projeto elétrico é essencial não apenas para que tenhamos segurança nas instalações atuais, mas também para que possamos verificar a capacidade de realizar alterações ou expansões posteriores, caso o ambiente necessite de uma reforma.

Quais normas um projeto elétrico residencial deve obedecer?

Antes de iniciar um projeto, precisamos conhecer as normas que devem ser atendidas na elaboração e execução dele.

Projeto elétrico residencial
Um projeto elétrico residencial deve conversar com o projeto civil, hidráulico e arquitetônico do ambiente (Projeto: Triângulo Arquitetura)

A ABNT NBR 5410 é a norma que traz as definições essenciais que um projeto elétrico residencial deve seguir para garantir a segurança das instalações, dos equipamentos instalados e dos usuários. Além disso, ela determina os conceitos básicos para cada um dos tipos de demandas e cálculos que devem ser apresentados para que projetos de instalações elétricas de baixa tensão sejam completos e corretos.

É importante também conhecer a fundo as características que podem ser específicas para uma região ou uma empresa distribuidora de energia — que, muitas vezes, apresentam regras que precisam ser levadas em conta em um projeto elétrico residencial, para que possam garantir um melhor atendimento da demanda de energia da moradia em questão.

Mais um documento essencial para a realização do projeto é o Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) ou a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), registrados no CAU ou no CREA, respectivamente. Ele apresenta os dados do profissional responsável por determinado projeto, seja ele arquiteto ou engenheiro.

As obras passam sempre por fiscalização. Consequentemente, o signatário do RRT ou ART é quem responderá por uma determinada instalação. Portanto, esses documentos devem ser feitos por profissionais registrados nos conselhos.

Como elaborar o projeto?

Agora que o primeiro passo essencial foi apresentado, o próximo é realizar o projeto. Para isso, são necessárias:

  • a planta baixa da residência, mostrando todos os ambientes;
  • a definição das cargas que serão ligadas à rede elétrica.

A definição das cargas representa a listagem das características de fase, corrente e potência de cada um dos aparelhos que serão ligados à rede de energia elétrica.

Projeto elétrico residencial
É importante seguir as normas para definir o posicionamento de cargas críticas como micro-ondas, lava-louças e geladeira na cozinha (Projeto: Jean Carlos Bonissoni

Chuveiros, torneiras elétricas, ar condicionados e máquinas de lavar roupa são exemplos de equipamentos que utilizam muita energia.

É importante observar que eles precisam de tomadas especiais, chamadas de Tomadas de Uso Específico (TUE).

O próximo passo é escolher com cautela o posicionamento de cada uma das cargas, das tomadas e dos pontos de iluminação.

Como saber onde colocar as tomadas e os pontos de iluminação?

A ABNT NBR 5410 será a norma à qual você vai recorrer para tirar essas dúvidas. Em um projeto elétrico residencial, por exemplo, ela estabelece que:

  • para cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos precisam ser previstos pelo menos dois pontos de tomadas acima de pias e bancadas, além de um ponto de tomada a cada 3,5 m de perímetro ou fração;
  • é necessário ter pelo menos um ponto de luz fixo no teto, comandado por interruptor, em cada cômodo ou dependência;
  • varandas precisam ter pelo menos um ponto de tomada, se não no ambiente, próximo ao seu acesso;
  • é preciso que nos banheiros seja previsto pelo menos um ponto de tomada próximo ao lavatório.

Essa norma é bem completa, apresentando exemplos e observações não só para os casos acima, mas também para salas de estar e dormitórios.

Como dividir os circuitos?

Agora que já estão definidas as cargas de cada cômodo e o posicionamento delas, é importante que os circuitos sejam divididos para otimizar a sua instalação.

Além de ajudarem no momento da execução da tarefa, os próximos passos podem ser realizados de forma precisa — quando for necessário o dimensionamento de proteções, por exemplo.

Projeto elétrico residencial
Quadro de disjuntores em uma instalação elétrica. Os dispositivos de proteção são partes obrigatórias de um projeto elétrico residencial (Foto: Michal Jarmoluk)

Depois da divisão desses circuitos, localize o quadro de distribuição de energia a ser instalado, levando em conta a estrutura da residência.

O próximo passo, então, é representar graficamente os cabos de cada circuito dentro do projeto, considerando eletrodutos e fiações.

Como representar graficamente iluminação, tomada e cabos?

As representações gráficas seguem as boas práticas estabelecidas pela NBR 5444. Essa norma foi cancelada e não foi substituída, mas ainda é o guia utilizado para esse tipo de projeto.

Aqui, é possível utilizar a planta baixa disponível e as representações de tomadas e iluminações já posicionadas para se fazer um diagrama com o traçado de cada um dos circuitos.

Vale lembrar que a representação dos circuitos leva em conta se eles são monofásicos, bifásicos ou trifásicos.

Como garantir a segurança em um projeto elétrico residencial?

Depois de dimensionar e dividir os circuitos, é necessário pensar nos dispositivos que os manterão em segurança. São os famosos disjuntores ou “chaves” que temos nos quadros de distribuição.

A NBR 5410 prevê que todo circuito terminal tem que contar com proteção contra sobrecorrentes, por meio de dispositivos que seccionem simultaneamente todas as fases, ou seja, que cortem toda a energia que esteja passando.

Por isso é importante a divisão dos circuitos monofásicos daqueles que precisem utilizar duas ou três fases da rede de energia elétrica. Cada um deles necessitará de um disjuntor específico.

Tipos específicos de proteção cuja instalação é obrigatória pela NBR 5410 são os Dispositivos de Corrente Diferencial-Residual ou DRs.

Esses são dispositivos ou associação deles, que são acionados quando o valor da corrente residual em um determinado circuito atinge um valor dado em condições especificadas na normativa.

Onde localizar o medidor de energia?

Um passo complementar ao projeto interno e externo da residência é definir, no plano da estrutura, a melhor localização para o medidor, também conhecido como “padrão de energia”.

Ele deve ser colocado em um local no limite da área a ser construída e ligado ao quadro de distribuição por meio de um eletroduto.

Como fazer o dimensionamento do material?

Projeto elétrico residencial
Materiais devem ser dimensionados de acordo com o projeto elétrico residencial (Foto: Ksenia Chernaya)

Até agora, os seguintes cálculos já devem estar completos:

  • dimensionamento das cargas (total e por circuito);
  • dimensionamento dos equipamentos de proteção.

O próximo passo é calcular os materiais necessários para a realização de todas as instalações. Eles são:

  • cabos: comprimento e bitolas, não se esquecendo que algumas instalações podem exigir diferença em níveis verticais, e esses comprimentos devem ser levados em conta;
  • eletrodutos: comprimentos e diâmetros, respeitando a taxa de ocupação, proporção de espaço que os cabos ocupam (consultar a NBR 5410 para mais detalhes).

O que são os diagramas?

Além da planta baixa, é importante que seja elaborado um diagrama unifilar, para verificar a distribuição das cargas em cada uma das fases do sistema.

Como é um projeto elétrico residencial completo?

Um projeto completo deve apresentar os seguintes documentos:

  • projeto luminotécnico;
  • memória de cálculo;
  • memorial descritivo;
  • projeto detalhado;
  • lista de materiais.

Um projeto elétrico residencial não é um componente simples de um projeto de arquitetura. Ele exige conhecimentos técnicos específicos para que seja realizado de forma correta, de modo a garantir a segurança dos moradores de uma residência.

Por isso é importante sempre buscar um profissional habilitado para a realização desse tipo de projeto, inclusive com os registros necessários para se responsabilizar pela obra perante o CAU ou o CREA.

Para começar a pensar em seu projeto elétrico residencial, que tal saber um pouco mais sobre projetos luminotécnicos?

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